Reforma de escritório deixou de ser obra, é um investimento estratégico

Toda empresa sabe quanto custa reformar um escritório. Poucas sabem quanto custa manter um espaço que já não acompanha a forma como o negócio funciona.

Essa é uma discussão que ganhou relevância nos últimos anos e que vai muito além da arquitetura. Cada vez mais, decisões sobre ambientes corporativos envolvem áreas como Facilities, Engenharia, Operações, RH e Finanças. Afinal, o escritório deixou de ser apenas um espaço físico para se tornar parte da estratégia da empresa.

Na prática, vemos organizações investindo em novos modelos de trabalho enquanto continuam operando em ambientes concebidos para uma lógica que ficou no passado. Não é raro encontrar escritórios com excesso de posições fixas, áreas pouco utilizadas e layouts que dificultam tanto a colaboração quanto os momentos que exigem concentração.

O mercado reflete esse cenário. Em São Paulo, a vacância dos edifícios corporativos de alto padrão continua entre 20% e 25%, segundo dados da CBRE e da JLL. Mais do que um indicador do mercado imobiliário, esse número mostra que o problema deixou de ser a disponibilidade de espaço. O desafio é ter espaços capazes de responder às necessidades atuais das empresas.

É justamente nesse ponto que o retrofit corporativo ganha importância. Durante muito tempo, uma reforma era vista como uma atualização estética ou uma necessidade decorrente do desgaste do imóvel. Hoje, ela representa uma oportunidade de aumentar a eficiência da operação, aproveitar melhor os ativos existentes e preparar o ambiente para apoiar a estratégia do negócio.

Em muitos projetos que conduzimos, percebemos um padrão. A percepção inicial costuma ser de falta de espaço. Depois de analisar a ocupação do escritório, a conclusão quase sempre é outra: o espaço existe, mas está organizado para uma empresa que já mudou.

Foi exatamente isso que aconteceu em um projeto recente. A empresa estudava ampliar sua área ocupada porque acreditava que o escritório já não atendia às necessidades da equipe. A análise mostrou um cenário diferente: havia ambientes subutilizados, excesso de posições fixas e pouca flexibilidade para acomodar diferentes formas de trabalho.

A decisão não foi expandir a operação, mas reorganizar o que já existia. O layout foi redesenhado, novos ambientes de colaboração e concentração foram criados, áreas pouco aproveitadas ganharam novas funções e o desempenho acústico foi aprimorado.

O resultado foi um escritório mais eficiente, com melhor utilização dos espaços e uma dinâmica muito mais alinhada ao dia a dia da empresa. O investimento deixou de ser uma obra para se tornar uma solução operacional.

Esse é um movimento que tende a ganhar força. À medida que as empresas revisam seus modelos de trabalho, cresce também a necessidade de revisar os ambientes onde essas estratégias acontecem. Não faz sentido esperar colaboração, inovação e agilidade em espaços concebidos para uma realidade completamente diferente.

Por isso, retrofit deixou de ser uma decisão patrimonial. Tornou-se uma decisão de negócio. A pergunta que executivos de Facilities, Engenharia, Real Estate e Operações precisam fazer não é se o escritório está bonito ou moderno. É muito mais simples e mais estratégica: o ambiente onde as pessoas trabalham hoje fortalece a estratégia da empresa ou ainda reflete um modelo de operação que ficou para trás?

*por Maria Angela Polo, CEO da We Are Group, empresa especializada na execução de ambientes corporativos e comerciais de alto padrão. Mais informações no site.