Culpa e auto-perdão

Culpa faz parte da consciência humana que nos condena por ações e pensamentos. Quem nunca teve esse sentimento? Como se houvesse duas formas de agir: uma certa e outra errada, ou bem e mal?

Dividimo-nos em duas pessoas: uma real, má, errada, ruim e uma ideal, boa, certa e que tortura a outra. Dentro de nós, é processado um julgamento em que o Eu ideal, imaginário, é o juiz, e o Eu real, concreto e humano, é o réu.

Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de culpa. A culpa é a tristeza por não sermos perfeitos, é uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição, um desejo frustrado; e o mais grave é que aprendemos o sentimento de culpa como virtude!

A culpa, longe de nos proporcionar incentivo ao crescimento, faz-nos gastar as energias numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu em vez de as gastarmos em novas coisas, novas ações e novos comportamentos.

As consequências da culpa são: autopunição, medo, sofrimento e remorso, doenças físicas, emocionais e mentais, submissão e solidão, dificuldade em dizer “não”, uso exacerbado de álcool, drogas, compulsão alimentar, dificuldade em sentir prazer e, por fim, destruição da autoestima e do amor-próprio.

As pessoas que tendem a ter um padrão de culpa exacerbado se preocupam demais com a opinião dos outros, sentem-se mal quando recebem algo, pois, na verdade, não se consideram dignas de aceitar presentes ou elogios, têm muita raiva e agressividade guardadas, enquanto normalmente responsabilizam os outros pelo seu sofrimento. Geralmente, punem-se ficando doente ou sendo vítimas frequentes de acidentes, como se autopunissem. Não se dão presentes ou prazeres, nem mesmo usam o próprio tempo para si. Além disso, não falam sobre si mesmas por terem uma baixa autoestima.

 

A culpa não decorre do erro, mas da maneira como nos colocamos diante do erro. Dizemos que errar é humano, mas não ouvimos. No fundo, nós não nos perdoamos!

Perdão. Surge a palavra de cura para excessos de culpa e restabelecimento de nossa paz de alma. Somente aqueles que desenvolveram a capacidade de auto perdão conseguem energia para uma vida psicológica sadia. O perdão para si mesmo é a própria aceitação da vida do jeito que ela é, nos altos e baixos.

O mais indicado sempre é responsabilizar-se e não se culpar, pois a culpa faz com que permaneçamos no papel de vítima e ela traz apenas estagnação e repetição de padrão, não proporciona crescimento. A responsabilidade faz com que acreditemos na capacidade de mudar. E todos nós temos essa capacidade!

Então menos culpa, mais autoperdão, mais amor voltado para si, isso é crescimento, é atitude, é alegria e felicidade. É equilíbrio!

Cliente: Ana Cássia Stam